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terça-feira, 10 de maio de 2011

CHICO SE PERDEU. ME AJUDEM A ACHÁ-LO!!!

AOS MEUS AMIGOS E A TODOS (AS) OS QUE AMAM OS ANIMAIS

Acabo de chegar da USP e um vigilante me garantiu, com 100% de certeza, que viu meu cachorrinho, o CHICO, muito assustado, claro, e vagando à esmo nas proximidades do prédio da Veterinária, próxima à Portaria 3, que dá para a Corifeu de Azevedo Marques, na última sexta-feira, 06 de maio/2011, quando ele saiu de casa, aproveitando portão deixado aberto.

Por volta das 19h40, uma senhora de cabelos pretos, mas não muito pretos (descrição do vigilante), muito emocionada o recolheu e o levou, preocupada em não deixá-lo na rua.

Peço encarecidamente a essa senhora, que não se sabe se é estudante, visitante, professora ou funcionária de alguma unidade da USP para entrar em contato comigo ou com a minha mulher nos telefones (11) 9647-7322 e (11) 9918-3928.

Também pode procurar os vigilantes José Alcides e Maurício Borges, que estão solidários e muito comovidos com a nossa dor.
Agradeço muitíssimo a solidariedade. Todos os que já perderam esses animaizinhos que nos ensinam a sermos seres humanos melhores, sabem do tamanho da nossa dor.

Um abraço carinhoso a todos (as)
DOJIVAL VIEIRA

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Polícia de S. Paulo enquadra seguranças na Lei da Tortura

S. Paulo - Os seis seguranças e funcionários do Supermercado Carrefour que, em agosto de 2009, perseguiram e espancaram o vigilante da USP, Januário Alves de Santana, tomando-o por suspeito do roubo do seu próprio carro – um EcoSport – cometeram crime de tortura, previsto na Lei 9.455/97, segundo a Polícia Civil de S. Paulo. Cinco deles já foram formalmente indiciados e podem pegar, se condenados, até 8 anos de prisão.

O sexto – o ex-funcionário do Carrefour Dárcio Alves dos Santos – entrou com Habeas Corpus preventivo, na 2ª Vara Criminal de Osasco, tentando se livrar do indiciamento. A Juíza Isabel Irlanda Corrêa, ainda não decidiu.

Segundo o delegado Léo Francisco Salem Ribeiro, do 9º DP de Osasco, que preside a investigação já concluída, não há nenhuma dúvida de que crime cometeram os acusados.

“Restou cristalino que Januário Alves de Santana foi submetido a intenso sofrimento físico e mental a fim de obter sua confissão. Angustiante perceber que (o que motivou) a empreitada foi a discriminação racial", afirma no despacho em que formaliza o indiciamento, que foi juntado ao Inquérito 302/2009.

“Os algozes pretendiam humilhar e dilacerar a alma da vítima, pois diziam “cala a boca, seu neguinho (...) Nós vamos te matar de porrada”. Santana oscilou em intervalos de lucidez e perda de consciência oriundos da tortura sofrida”, acrescentou o delegado no despacho, apontando “o emprego de violência para obter informação ou confissão, em razão de discriminação racial”, conforme prevê a Lei da Tortura.

O delegado, que preside o inquérito também concluiu que os três policiais militares que atenderam a ocorrência, sob o comando do soldado José de Pina Neto, praticaram o crime de omissão de socorro, previsto no art. 135 do Código Penal brasileiro.

Defesa

Para o advogado do caso, Dojival Vieira, a decisão da Polícia Civil de S. Paulo, representa uma vitória do seu cliente na luta pela responsabilização criminal dos agressores e por Justiça. O caso foi inicialmente tratado como sendo lesão corporal dolosa.

“O acordo extra-judicial, fruto do diálogo e de negociações, em que a empresa indenizou Januário e seus familiares em condições por eles consideradas plenamente satisfatórias, foi o primeiro passo. Agora, com a conclusão da Polícia de que foi praticado o crime de tortura, é com o Poder Judiciário. Confiamos que a Justiça processe, julge e condene os que atacaram de forma covarde, e sem qualquer chance de defesa, e ainda tentaram forçar o meu cliente a confessar o roubo do seu próprio carro, por motivação racial, já que a suspeita decorreu do fato de Januário ser um negro com aparência humilde na direção de um EcoSport. Repito: Confiamos na Justiça”, afirmou.

Tortura e barbárie

O caso aconteceu no dia 07 de agosto de 2009, por volta das 22h15, na loja do Carrefour, da Avenida dos Autonomistas, e chocou o país. Santana, na direção do seu EcoSport comprado à prestações, na companhia da mulher, Maria dos Remédios Alves de Santana, de uma irmã, um cunhado e dois filhos pequenos, chegou ao supermercado para fazer compras como fazia habitualmente.

Foi tomado por suspeito de ser um puxador de carros – gíria policial para ladrões de carro em lugares públicos – por ser negro e está na direção de um veículo, cuja posse é associada a pessoas de classe média.

Perseguido, sob a mira de revólveres tentou se refugiar na loja. Foi alcançado e levado para um corredor, onde, por cerca de 30 minutos foi espancado com socos, cabeçadas, esganaduras, coronhadas pelos seguranças para que confessasse o roubo.

No despacho do indiciamento que tem data de 18 de novembro passado, o delegado Salém Ribeiro, descreve a sessão de torturas e o sofrimento físico intenso a que o vigilante foi submetido.

Em conseqüência, perdeu a prótese, arrancada a socos e teve fratura no maxilar esquerdo, sendo obrigado a passar por uma cirurgia com anestesia geral no Hospital Universitário da USP.

Januário precisou ainda de acompanhamento psicológico durante os meses que se seguiram a agressão porque disse que "tinha medo de sair à rua".

Caso inédito

Para o ex-Secretário de Justiça de S. Paulo, Hédio Silva Jr., a decisão da Polícia de indiciar os seguranças é inédita no país. "Sinaliza que as autoridades começam a reconhecer a gravidade dos casos de racismo e dar o tratamento merecido a eles. Não foi "constrangimento ilegal" nem "lesão corporal dolosa". Foi tortura. É exemplar.”, afirmou, relatando que, em 1,2 mil processos judiciais de discriminação racial analisados pelo Centro de Estados das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), no período entre 1.997 e 2010, não há nenhum inquérito baseado na Lei 9455/97, a Lei da Tortura. “E um caso inédito e emblemático”, concluiu.

Veja reportagem da Rede TV - 04/02/2011


Por: Redação - Fonte: Afropress - 4/2/2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Brasil começou a ganhar um grande médico. A vitória de Yuri!


Yuri Vieira de Lima Santos, 19 anos, estudante de escola pública de Cubatão foi aprovado para os Cursos de Medicina de duas das maiores Universidades do país – a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), de Uberaba. Nesta última, cujo resultado foi divulgado nesta segunda-feira (24/01) ele foi o 8º classificado numa turma de 40 aprovados.

Yuri também passou para a segunda fase nas seguintes Universidades: Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Viçosa e na Universidade de S. Paulo. É ainda o primeiro na lista de espera da Universidade Federal de São Carlos (UFscar) e também estava na lista de aprovados da Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais.

Feliz pela aprovação em Medicina, o mais disputado nas principais Universidades do país, ele disse que agora vive “um problema”: fazer a melhor opção entre os cursos nos quais passou, tendo em vista que o prazo para inscrição e matrícula é curto e as inscrições não podem ser cumulativas.

Por isso, já decidiu que abrirá mão da Medicina na UFRJ, no Rio, preferindo a UFTM, que nesta segunda-feira, divulgou a lista de aprovados e cujo prazo de matrícula termina dia 03/de fevereiro. Porém, ainda aguardará os resultados da USP, UNESP e também da UNIFESP (Universidade Federal de S. Paulo), que não divulgou ainda a relação de aprovados.

“Se também tiver sido aprovado na USP, UNESP ou Unifesp – fico em S. Paulo, que é mais perto, vou estar mais próximo da minha família. Do contrário vou para a Universidade Federal do Triângulo, que está entre as melhores do país”, afirma.

Ao contrário dos dois irmãos mais velhos – Dojival e Bruno Vieira de Lima Santos – o primeiro jornalista e o segundo ano do Curso de Direito -, Yuri decidiu ser médico porque disse que quer se dedicar a salvar vidas e cuidar das pessoas.

Ele fez o ensino fundamental (da 1ª a 5ª série) na Escola Antônio Ortega Domingues e depois na Escola da Usina Henry Borden (5ª a 8ª), na Light. O Ensino Médio foi feito na ETEC Aristóteles Ferreira, de Santos.

De origem humilde, Yuri será o primeiro médico da família, que, na parte paterna, tem antepassados negros que viveram sob o escravismo. O segredo para as conquistas que tem comemorado com a mãe Suzete Miranda, com o pai, e com os irmãos, segundo ele, é um só: “Estudo, persistência diante das dificuldades, que não poucas nem pequenas, e determinação”.

Yuri é meu filho mais novo e sua conquista é também minha, da mãe, dos irmãos, da família e de todos os que acreditam que, com luta, garra, determinação um filho de uma família pobre pode, sim, se tornar médico neste país de tanta injustiça, exclusões e desigualdades.

Nesta batalha, que só está começando (agora são os seis anos do Curso), Yuri já é um vitorioso.

Vida longa ao Yuri! O Brasil começou a ganhar um grande médico.