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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Tuma não é meu "mano". Nunca será!

Os depoimentos do presidente Lula em defesa do senador Romeu Tuma, que disputa a reeleição ao Senado por S. Paulo, pelo PTB, soam como uma ofensa à memória dos que lutaram contra a ditadura militar instalada após o golpe de 1ª de abril de 1.964, e que durou até 1.985, deixando para trás um rastro de torturas mortes e mais de 200 pessoas ainda hoje desaparecidas. A fala presidencial, à título da boa lembrança que tem do seu ex-carcereiro, soa constrangedora para quem conhece – ou viveu – a história recente do Brasil.

Tuma, apresentado na campanha como "o senador de todos", sinônimo de “segurança”, como afirma a propaganda – é nada mais nada menos, que o Romeu Tuma, ex-diretor geral do famigerado Departamento da Ordem Política e Social, o sinistro DOPS, um dos braços do aparato de segurança da ditadura militar. No DOPS e no DOI-CODI presos políticos eram torturados – e muitos deles como Manoel Fiel Filho, mortos na tortura.

Lula esteve lá por 31 dias - de 19 de abril a 20 de maio -, depois de preso com outros sindicalistas por liderar a greve dos metalúrgicos do ABC, em 1980. Foi bem tratado, conforme se sabe. Aliás, muito bem tratado, como ele orgulhosamente agora depõe.

Ora, pretender transformar o carcereiro de um regime de força – que desrespeitou as liberdades e torturou opositores – em “santo”, é a última novidade dessa campanha eleitoral – transformada em festival de marketing e de consensos entre algozes e vítimas. É uma ofensa à memória e um desserviço a história da luta do povo brasileiro. Um escárnio aos que lutaram e morreram nos porões dos órgãos de segurança como DOPS.

Lula ofende à memória dos mártires do regime; ofende às suas famílias, ofende a todos os que não confundem algozes com vítimas.

Para que não digam que sou revanchista, vejam o que disse sobre Tuma o jurista Goffredo da Silva Telles. "Romeu Tuma assinava documentos comprometedores. Os papéis avalizariam versões policiais de que presos mortos sob tortura haviam se suicidado".

Parentes das vítimas também, na época, acusaram Tuma de proteger torturadores.

Presidente, não precisava chegar a tanto. Tuma – o mesmo que o socorreu com um dentista para livrá-lo do incômodo de um canal entupido – foi e continuará sendo o seu carcereiro. Esse foi o papel que ele escolheu ocupar na história e nem o senhor, nem ninguém poderá apagar.

Outra coisa: quem tem um mínimo de conhecimento da história - e não perdeu a memória - jamais chamará Tuma de "meu mano". Meu mano, ele não é. Nunca será!

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